Carta da presidência da ECOECO 2022

São Paulo, 01 de Janeiro de 2022,

Prezados(as) associados(as),

Gostaria de agradecer a toda nossa comunidade pelo voto de confiança ao me elegerem como Presidente da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO) durante nosso XIV Encontro Nacional em 2021, acolhido remotamente pela Universidade Federal do Sul da Bahia. Agradeço também em nome dos demais membros eleitos da Diretoria Executiva, Andrei Cechin, Teresa Meira, Cecília Lustosa, Paula Bernasconi e Lucas Lima, que se dispuseram a contribuir conosco em momento tão difícil para a ciência, para o meio ambiente e para a sociedade brasileira. Com muita satisfação, contaremos ainda com o inestimável apoio de nosso Presidente de Honra, Clóvis Cavalcanti. Sabemos que os desafios que temos pela frente não são pequenos, mas esperamos poder fazer frente a essa grande responsabilidade que assumimos a partir de hoje e pelos próximos dois anos.

Não foi sem alguma preocupação que, ao redigir esta Carta, retornei à Carta do Presidente Daniel Caixeta Andrade, que com muita dedicação e competência me antecedeu, e percebi que os alertas sobre o contexto brasileiro que aqui faria já haviam sido descritos por ele em 2018. Daniel chamava a atenção para a fragilização da institucionalidade ambiental, para a crise econômica e política e para a dificuldade de construção de um debate plural e democrático no Brasil. Agora, para além do agravamento desses problemas, somam-se ainda a crescente ameaça às populações indígenas, aumento do desmatamento, ocorrência mais frequente de eventos extremos como secas, incêndios e enchentes em diversas regiões do país, crise da ciência e de nossas Universidades e, claro, os dois anos da pandemia de COVID-19, que já levou mais de 600 mil vidas brasileiras.

Acredito, no entanto, como Daniel, que não nos resta alternativa a não ser persistir, resistir e ter esperança. Temos de nosso lado a teimosia e insistência daqueles que estão habituados a frequentar posições muitas vezes marginais em seus campos de pesquisa, ou que mantêm uma posição firme em defesa de populações oprimidas e pela preservação do meio ambiente mesmo em contextos bastante adversos, ou ainda, que sonham e lutam por visões de mundo alternativas. Temos, sem dúvidas, potenciais e condições para teimar, insistir e esperar. Com esperança, o próximo ou a próxima Presidente da ECOECO poderá redigir uma carta muito diferente destas duas últimas, com perspectivas mais otimistas sobre o Brasil e o mundo.

Resta-nos, evidentemente, dizer como essa nova gestão pretende contribuir para manter a nossa esperança e avançar nessa empreitada de constante construção, fortalecimento e renovação da ECOECO, muito bem conduzida por nossos antecessores desde a sua criação em 1993. Arriscaremos enumerar brevemente algumas de nossas metas, porém já antecipando um primeiro objetivo que é o de manter um diálogo muito aberto com nossos(as) associados(as) e, portanto, de construir uma gestão a partir de projetos compartilhados por todos(as). De maneira concreta, um primeiro passo para tal será o de fortalecer as Diretorias Regionais da ECOECO, por meio de uma maior aproximação da Diretoria Executiva, contando com sua maior capilaridade entre associados(as) de todo o Brasil.

Em segundo lugar, diante da situação econômica, social e política crítica que vive o país, mantemos a posição de gestões anteriores de que é fundamental buscar ampliar a participação da ECOECO nos debates nacionais. Sabemos que individualmente muitos(as) de nossos(as) associados(as) já desempenham esse papel. Estamos dispostos a apoiá-los(as), somar esforços e aprofundar diálogos da ECOECO com outras instituições parceiras. Também, pretendemos fortalecer a comunicação da ECOECO, inclusive em redes sociais, contando com o apoio do nosso colega Junior Garcia, que com muito êxito já deu início a esse esforço nos últimos anos.

Em terceiro lugar, precisaremos inevitavelmente enfrentar as dificuldades colocadas pela crise da ciência e das Universidades no Brasil, que afeta diretamente a nossa Sociedade, mas também afeta diretamente nossos(as) associados(as) ou potenciais associados(as). Em especial, o contexto é muito prejudicial a graduandos(as), pós-graduandos(as) e recém-doutores(as), cuja participação e contribuição é fundamental para a constante renovação e garantia de um futuro promissor para a ECOECO. Queremos fazer uma gestão que possa, dentro do possível, apoiar esse público e estimular sua participação nas nossas atividades. Aproveitando da experiência adquirida com eventos virtuais nos últimos anos e contando com a parceria e apoio da International Society for Ecological Economics, que a partir de agora será presidida pelo nosso caro colega Roldan Muradian, pretendemos realizar atividades de baixo custo, que possam ter um papel formativo para pós-graduandos(as), contribuir com o avanço da pesquisa em nosso campo e estabelecer redes entre pesquisadores(as).

Por fim, esperamos que possamos nos encontrar presencialmente em 2023, durante o nosso próximo Encontro Nacional, que será realizado na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), na cidade de Santarém (PA). A data é muito especial, pois coincide com os 30 anos de existência da ECOECO. Com a expectativa de que teremos uma gestão produtiva até lá e um contexto menos preocupante, aguardaremos todos(as) para uma merecida comemoração!

Um feliz ano novo,

Saudações,

Beatriz Macchione Saes

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