Um Novo Olhar Sobre os Sistemas Sócio-Ecológicos

 

Ihering Guedes Alforado

Por motivo do seu passamento, cialis a  obra de Coase tem sido amplamente revisitada e a marca da avalanche de textos, revisitando sua obra,  apenas começou.  E uma característica recorrente  é o fato de ressaltarem o resultado do seu esforço, ou seja,  seus textos clássicos e a fertilidade e influência dos seus insights na gestão empresarial e na política governamental, mas pouca atenção tem sido dada a sua contribuição a renovação da Economia e da Politica Ambiental, em especial sobre  a forma como ele  conseguiu gerar seus insights,  fundamentar seus argumentos, enfim, implementar seu programa, que segundo ele , era  fazer com que os economistas em geral,  e em decorrência os economistas ambientais e ecológicos passassem a ter uma nova compreensão da relação com a teoria econômica e os sistemas sócio-ecologicos.

Neste sentido, gostaria de sublinhar que, em todos os seus artigos seminais,  desde a Natureza da Firma, passando pelo Problema dos Custos Sociais, chegando a Os  Faróis na  Economia  temos não apenas textos que devem  ser revisitado por todos aqueles  comprometidos com a construção de mercados e governos mais eficientes, em especial os dedicados a operar as  politicas ambientais.   Estes textos de Coase também devem ser considerados como  exercícios de filosofia econômica impar, marcada por uma orientação desconstrutivista/construtivista dos conceitos que ancoram boa parte da Economia ambiental e da Economia Ecológica no que se relaciona com a problemática  econômica envolvida na exploração dos sistemas sócio-ecológicos..

 

Em função da sua problematização dos conceitos  de firma, de externalidade e de bem público, nos três artigos referidos acima,  esse trio de outro deve ser revisitado  por todos aqueles comprometidos com a evolução criativa da Teoria econômica, tendo em vista adequá-las a problemática ambiental do tempo presente, sempre mutante.      Em todos estes artigos,  o ponto de partida de Coase foi a desconstrução seguida da  imediata reconstrução de um conceito central na estrutura do pensamento microeconômico aplicado a questão ambiental, alimentando-se da tradição para inovar.     O proceder metodológico de Coase,  sempre foi orientado pela   flexibilização de   uma premissa, de  um pressuposto de uma abordagem tradicional,  e, mantendo-se no marco da tradição,  extraiu as implicações do ponto de vista teórico e prático.  Resultado: abordagens criativas, inovadoras, mas plenamente agasalhável, tanto  no marco tradicional neoclássico, como no marco de abordagens ditas heterodoxas.

Em A Natureza da firma (1937) temos a desconstrução da firma marginalista marshaliana, e  a construção dos fundamentos   da firma  orgânica, a partir do que abre todo um novo universos de possibilidade de governança ambiental.   Em  O  Problema dos Custos Sociais, o que é desconstruído é o conceito pigouviano de externalidade, criando as condições para se repensar os conflitos ambientais estabelecidos entre agentes econômicos e, entre o sistema produtivo e o meio ambiente, tendo  em vista a eficiência de todo o sistema.  Enquanto que em Os faróis na Economia o conceito descontruindo é o de bem público, tal como difundido então por Paul Samuelson, criando uma ampla janela de possibilidade de política ambientais baseadas no mercado.    Com este trio de artigos Ronald Coase  lançou as bases  de uma plataforma para uma nova compreensão da economia ambiental fundada na  criação de novos mercados, a exemplo do mercado de carbono e do mercado de direitos de captura,s ejam basedos nas espécies (ITQs) sejam baseados no territórios(TURFs), fundamentando novas  formas de atuação do governo no desenho da política e da regulamentação ambiental em geral e, dos recursos naturais renováveis em particular..

Enfim, é  esta orientação metodológica que   chamo de MÉTODO COSEANO , criado e aplicado por ele durante toda sua vida já que teve sua estreia em 1937 com a Natureza da Firma,  que propomos resgatar no momento do passamento,   uma  singela homenagem ao meu mestre.