Clóvis Cavalcanti

Com grande orgulho informamos que o nosso querido presidente de honra, ambulance  Clóvis Cavalcanti, viagra  foi indicado para assumir a presidência da Sociedade Internacional de Economia Ecológica.

Veja abaixo seu histórico com a ECO ECO:

Minha aproximação da economia ecológica começou em julho de 1964, diagnosis  quando ouvi o prof. Nicholas Georgescu-Roegen falando na Fundação Getúlio Vargas (Rio). Eu fazia aí uma pós-graduação de economia. Georgescu explicou o papel das leis da termodinâmica (e, obviamente, da entropia) no processo econômico. Entre janeiro e março de 1970, fui professor visitante no Departamento de Economia da Universidade de Vanderbilt. Minha sala (office) era vizinha à de Georgescu. Eu o via diariamente. Conversávamos nessas ocasiões. Um dia, a seu convite, fui jantar em sua casa.
O que mais me marcou nesse período, porém, foi a leitura de seu livro Analytical Economics. Issues and Problems (Cambridge, EUA: Harvard University Press, 1967), em cujo prefácio Paul Samuelson, colega de Georgescu em Harvard, classifica-o como “economista dos economistas”. A natureza não estava sendo levada em consideração na equação do desenvolvimento. Perceber isso e ler Georgescu-Roegen só aguçou minha curiosidade em relação a examinar a economia na óptica da ecologia. Coincidiu que, nos meus meses de Vanderbilt, li um livro muito bom de Erich Fromm: The Art of Loving (Nova York: HarperCollins Publishers, 1956). A leitura me levou a pensar no conteúdo da reflexão de Fromm, ou seja, se o amor é uma arte, o que exige conhecimento e esforço, ou uma sensação agradável, cuja experiência é um lance de sorte, alguma coisa em que se cai se a fortuna ajuda. O livro mostra que amar é uma arte. Amar a natureza é uma arte, portanto, impondo o estudo da natureza. Escrevi artigos nas décadas de 1970 e 1980, no Jornal do Brasil, do Rio, então o mais importante do país. Eles ofereciam uma visão crítica da teoria econômica e do desenvolvimento. Falei num deles na Lei da Entropia em relação ao crescimento econômico. Herman Daly o leu. Escreveu-me e mandou trabalhos seus. Ficamos em contato desde então (eu encontrei Herman, pela primeira vez, em março de 1970, em Yale, onde ele era um visiting fellow). Em 1983, organizei um curso durante a reunião anual da SBPC em Belém do Pará, chamado, por falta de melhor título, de “A Economia dos Anos 80”. Para ele, convidei como expositores, Herman, e dois economistas dissidentes: Cristovam Buarque e Dirceu Pessoa (1937-1987), Foi um sucesso. A ele compareceram 50 alunos, entre os quais Amélia Rodrigues Henríquez, que estudava economia e se transformou em economista ecológica, chegando a presidente da EcoEco (2010-2013) Em maio de 1990, convidado pelos organizadores, participei como palestrante do I Encontro da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE), em Washington, D.C. (EUA). Em seguida à reunião de Washington (maio-jun. 1990), efetuou-se um workshop em Wye Island (Maryland), congregando 25 pessoas (Kenneth Boulding, Herman Daly, Joan Martínez Alier, Richard Norgaard, John Proops, Garrett Hardin, Bob Costanza, Enzo Tiezzi, Silvio Funtowicz, entre eles). Tive a honra de participar do seminário, do qual resultou o livro de Costanza e Joyce Bartholomew (eds.) Ecological Economics: the Science and Managemente of Sustainability, do qual sou coautor. Nos anos 90, colaborei na instituição da EcoEco e da Anppas. Organizei dois seminários que foram básicos nesse processo. Em 1994, no Engenho Massangana, com o título “Economia da Sustentabilidade”. A ele estiveram presentes Peter May, Darrell Posey (1947-2001), Frank Jöst (do grupo de Reiner Manstetten), Ronaldo Serôa da Motta, Eduardo Viola, Paulo Freire Vieira (ligado a Ignacy Sachs), etc. O outro encontro foi em Olinda (abril de 1996), Com Daly, Martínez Alier, Norgaard, Cutler Cleveland, Robert Goodland, Salah El Serafy, Peter May, Posey, Karl-Erik Eriksson e mais gente. De ambos os eventos resultaram livros. O segundo foi traduzido para o inglês: The Environment, Sustainable Development and Public Policy: Building Sustainability in Brazil (Cheltenham: Elgar, 1997). Participei de todos os encontros da ISEE, exceto os de Montreal (2004) e Nairobi (2008). De todos os da EcoEco, menos o de Belém do Pará (1997). De todos os da Anppas. Também me envolvi na Rede Íbero-Americana de Economia Ecológica (Redibec). Meu desejo foi sempre o de contestar a economia convencional que aprendi inclusive com James Tobin, em Yale. Nisso, sigo o que Georgescu deixou como legado. Entendo que a Economia Ecológica seja a visão ecológica da economia; não é, portanto, um ramo da economia. A economia significa a visão econômica da economia. E a economia ambiental é a visão econômica do meio ambiente. A propósito, o primeiro curso de economia ambiental no Brasil foi dado por mim no segundo semestre de 1975, na graduação de economia da Universidade Federal de Pernambuco, como matéria optativa.
O que eu gostaria de fazer na condição de presidente eleito é contribuir da melhor forma possível para que a ISEE efetivamente represente uma força para se introduzir nova forma de ver o mundo no âmbito da ciência com respeito às relações entre economia e natureza. Minha perspectiva é exatamente a mesma de Herman Daly, Joan Martínez Alier, Nicholas Georgescu Roegen. Julgo que se deve promover uma ciência comprometida com o bem-estar humano, com a busca da felicidade. A ISEE tem tudo para realizar esse papel, na linha do que Daly propõe com respeito à steady-state economy. Em sintonia também com a recente encíclica do Papa Francisco, Laudato Si’, e com a experiência de 40 anos da filosofia da Felicidade Nacional Bruta, do Butão.