Resíduos sólidos urbanos (RSU) e responsabilidade socioambiental (RSA) no varejo: a contribuição dos modelos híbridos de insumo-produto para a sustentabilidade e a eficiência ecológica

Assim se intitula o projeto vencedor, here na categoria Pesquisador, and do 3º Prêmio Varejo Sustentável Walmart-Brasil (http://www.premiovarejosustentavel.com.br/resultado.aspx). O autor do trabalho é Valny Giacomelli Sobrinho, professor adjunto do
Departamento de Ciências Econômicas da UFSM (Santa Maria, RS). A cerimônia de premiação é dia 30/11/10, em São Paulo (SP).

O projeto se inscreve no conjunto de estratégias favorecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em junho de 2010 pelo Congresso Nacional e sancionada em agosto de 2010 pela Presidência da República. Um dos maiores desafios da lei de resíduos sólidos é a definição de instrumentos econômicos que estimulem a adoção de práticas menos poluentes e mais eficientes ecologicamente. Os modelos híbridos de insumo-produto permitem determinar quanto de resíduo (poluição) é necessário para gerar uma unidade monetária de produto ou renda econômicos. Assim, é possível calcular qual é o custo (ou benefício) ambiental da atividade econômica.

A vantagem desses modelos é que eles permitem realizar essa avaliação não só na cadeia de consumo (resíduos sólidos ou tóxicos), mas também na de suprimentos (resíduos de produção ou rejeitos) – ou, no caso do varejo, na de fornecedores (resíduos derivados dos estoques de mercadorias a serem vendidas no comércio varejista). Esse alcance metodológico é consistente com uma versão moderna de sustentabilidade, que
contempla o ciclo de vida do produto e se assenta num critério de desempenho econômico denominado “eficiência final” (ultimate efficiency), proposto por H. E. Daly.

Ao combinarem medidas biofísicas e monetárias de valor, os modelos híbridos de insumo-produto permitem verificar a contradição que se estabelece entre a poupança de recursos naturais (eficiência ecológica) e os ganhos (ou perdas) monetários. Reduzir resíduos nem sempre significa reduzir custos - e vice-versa. Graças ao descolamento entre a lógica monetária e a realidade biofísica, os custos financeiros dos setores que mais
economizam recursos tornam-se perversamente altos, desestimulando, assim, a contençãodo desperdício.
O modelo desenvolvido no projeto vencedor não só permite apontar essa deficiência, mas também supera a exigência clássica de matrizes quadradas para resolver modelos de insumo-produto. Afinal, à medida que se introduza o hibridismo nesses modelos, não seria realista pressupor que o número de resíduos seja igual ao de setores de atividade. Um algoritmo de 10 etapas, que inclui multiplicadores de RSU, permitiu superar
esse condicionamento.