search Luana Lourenço*
Enviada Especial


Belém – A sociedade ainda não está preparada para discutir um assunto que será central nos próximos anos: a transição para uma economia verde. A opinião é do coordenador de Processos Internacionais do Instituto Vitae Civilis,
drugstore Aron Belinky. O assunto será o tema-chave da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro.

A dez meses da reunião, governos e organizações sociais estão na reta final para a definição de contribuições ao documento base da conferência.

Em entrevista à Agência Brasil, Belinky apresentou um panorama da preparação da sociedade civil para a Rio+20, da articulação com o governo e dos possíveis resultados políticos da conferência. Belinky também ponderou que, ao mesmo tempo em que o governo trabalha na construção de uma proposta a ser apresentada à ONU para um desenvolvimento mais verde, as mudanças no Código Florestal e a manutenção de investimentos em grandes projetos na Amazônia se mostram contraditórias a esse processo.

Belinki participa hoje (27) do Seminário Regional sobre Economia Verde na Amazônia: Amazônia rumo à Rio+20, que integra uma série de diálogos nacionais preparatórios para a conferência. Confira abaixo a entrevista que ele concedeu à Agência Brasil.

Agência Brasil: A dez meses da conferência, como o senhor avalia a mobilização da sociedade para a Rio+20?
Aron Belinky: As pessoas estão sabendo pouco, acreditamos que elas vão começar a acordar mais para o tema a partir do começo do ano que vem, quando estiver mais clara a programação, que tipo de evento será a conferência. A partir disso vai começar um crescimento do debate de massas.

ABr: Como a sociedade civil organizada está se preparando para a Rio+20?
Belinky: A sociedade civil está debatendo em várias frentes, tem frentes empresariais, de ONGs [organizações não governamentais] ambientalistas, de movimentos sociais, que estão se posicionando e procurando construir convergências. Não necessariamente vai haver uma posição única. Um momento muito rico nessa discussão nacional e internacionalmente vai ser o Fórum Social Mundial temático no começo do ano que vem, em que poderemos ter a dimensão do que está vindo da sociedade civil nacional e internacionalmente.

ABr: Como essas posições estão sendo articuladas com o governo? Como as contribuições da sociedade civil serão levadas adiante?
Belinky: A sociedade civil tem visões variadas sobre o processo oficial. Tem gente que entende, inclusive, que o processo oficial é secundário, e que a prioridade é trabalhar na organização autônoma da sociedade e que nem estão preocupados em direcionar a proposta oficial do Brasil. Tem outros grupos mais ligados diretamente a essa proposta, que participaram do processo de consulta formal, que, de alguma maneira, deverá ser incorporado pelo governo. Como isso vai se refletir na posição oficial do Brasil para a conferência é uma incógnita. O que vai aparecer lá será fruto de várias pressões de várias áreas. Estamos acompanhando de perto para cobrar os resultados.

ABr: O senhor tem percebido disposição do governo em acolher as contribuições da sociedade civil?
Belinky: Há disposição em ouvir, em abrir canais, isso a gente vê com bastante clareza, talvez de uma maneira menos estruturada do que gostaríamos, mas certamente existem canais. Em que medida isso vai ser refletido na posição oficial do governo no fim das contas ainda é mistério. Vemos que existe simpatia para algumas propostas que vêm da sociedade civil, mas, ao mesmo tempo, há pressões de outros lados.

ABr: As mudanças no Código Florestal e a implantação de grandes projetos na Amazônia podem ser consideradas contraditórias aos objetivos da Rio+20, que propõem um caminho de transição para uma economia verde?
Belinky: Há uma enorme contradição. No caso do Código Florestal, seria abominável ter um retrocesso na legislação ambiental e, ao mesmo tempo, querer se mostrar uma liderança para a economia verde. Isso é totalmente impensável, o governo não pode permitir um papelão desses. Por outro lado, há políticas proativas que o governo pode fazer, relacionadas a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ao Plano Nacional sobre Mudanças do Clima e outras legislações que podem avançar e mostrar um lado positivo, de coerência do governo com os objetivos da economia verde. Em relação a grandes obras, me parece que há teimosia, uma visão de desenvolvimento que é complicada. O modelo de grandes obras é uma decisão política do governo, a nosso ver, equivocada. O governo poderia priorizar outras áreas, investir em repotencialização de usinas, em redução de linhas, geração descentralizada, energias renováveis que não sejam grandes hidrelétricas. Mas parece que o governo está insensível politicamente a isso, o que é uma grande contradição.

ABr: O que esperar da Rio+20 em termos de resultados?
Belinky: A Rio+20 é uma reunião cujo produto é um documento político, ela está pautada para ser uma reunião política. O produto final do processo oficial vai ser uma declaração política, uma declaração com direcionamentos para apontar consensos entre os vários países para que avancem individualmente na direção da economia verde. Não tem a pretensão de ser uma coisa mandatória. Ao mesmo tempo, vamos ter os resultados não oficiais, que são tão importantes quanto, que é exatamente o debate que a sociedade está fazendo.

ABr: Os resultados da Rio+20 poderão influenciar outras discussões ambientais no âmbito da ONU, como o debate sobre mudanças climáticas, que está travado?
Belinky: Esperamos que sim, esperamos que entre os vários itens que vão estar nesse documento político, estejam incluídas diretrizes e indicações políticas, que é exatamente o que falta para muitas convenções, como a do clima. Se der tudo certo e a conferência conseguir reunir um número considerável de chefes de Estado, pode ser um documento político que ajude a desatar alguns nós.

 

Brasília, capsule 20 de setembro de 2011 - Dois relatórios regionais pioneiros, pharmacy apresentados hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, viagra sale chegam a conclusões semelhantes por meio de diferentes abordagens. Estudos sobre a eficiência na utilização de recursos na América Latina e na Ásia-Pacífico mostram que políticas e medidas voltadas ao uso eficiente de recursos são necessárias para dar suporte ao desenvolvimento econômico sustentável a nível mundial e, em particular, nas regiõesanalisadas.


As análises regionais compartilham uma visão mais ampla que vai além da análise econômica convencional, dando maior atenção para o papel central desempenhado pelos recursos naturais no desenvolvimento econômico, no bem-estar da população e na integração internacional dos países em cada região. Recursos naturais são bens-públicos que oferecem bens e serviços a toda a população.


A maioria desses países não integram o conceito de eficiência de recursos em suas estratégias econômicas e produtivas, mas o relatório mostra que há uma oportunidade de melhorar a informação e práticas de uso eficiente dos recursos, e garantir que a sua integração no marco estratégico dos países fomente a sua disseminação.
As regiões Latinoamericana e Ásia-Pacífico têm provado ser muito dinâmicas na implementação dessas questões. A sustentabilidade global pode depender dessas regiões e da capacidade delas de acelerar a transição para uma economia verde para todos.

Recursos naturais, desde matérias-primas até a terra, o ar, a água e os ecossistemas, são essenciais para o funcionamento da nossa economia e para melhorar a nossa qualidade de vida. No entanto, as pressões globais sobre eles estão aumentando, e até agora seu uso eficiente não é uma prioridade em nenhuma área política ou de gestão específica. O fato de os recursos naturais não serem levados em conta significa que os efeitos ambientais e socioeconômicos de sua  exploração excessiva estão sendo subestimados.

A aplicação de políticas bem desenhadas de eficiência de recursos pode oferecer vários benefícios para o desenvolvimento econômico contínuo, aumento da qualidade de vida e redução da pobreza e do impacto ambiental. A chave para atingir padrões de consumo e de produção sustentável é uma abordagem multidisciplinar, exigindo a cooperação entre diferentes setores e partes interessadas.

Os relatórios REEO (Eficiência na utilização de Recursos: Perspectivas e Implicações Econômicas, na sigla em inglês), a fim de incentivar ações preventivas por parte dos governos e de todos os outros setores, estabelecem um quadro para ajudar a assegurar que as estratégias políticas de longo prazo produzam resultados em prol da eficiência na utilização dos recursos. Entre eles, há potencial de sucesso e soluções que podem levar a êxitos a curto-prazo, por meio de práticas de compensação e de políticas, investimento e gestão que promovam o uso eficiente de recursos,  genérico (nível macro) ou específico (nível micro).


América Latina


O relatório sobre "Eficiência na utilização de recursos na América Latina: Perspectivas e implicações econômicas", foi desenvolvido ao longo dos anos de 2009-2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) e a Rede Mercosul de Pesquisas Econômicas, em colaboração com a Universidade Autônoma Metropolitana (México) e a Universidade de Concepción (Chile). A versão final do relatório foi consolidada após um período em que foi aberto por vários meses para comentários e sugestões.

O estudo incide sobre energia e mudanças climáticas e uso da água e do solo. Essas questões foram analisadas à luz de vários estudos de caso sobre as políticas e iniciativas na Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai e Uruguai. Após análise mais aprofundada, gerou-se uma projeção de quatro possíveis futuros cenários com base em mudanças em variáveis ??que afetam a eficiência e a sustentabilidade dos recursos. Com base nessas mudanças, há diferentes perspectivas para o nosso desenvolvimento no período 2010-2030.

 

 


Dentre as principais descobertas regionais do estudo REEO:


1. O processo de crescimento econômico na América Latina não pode superar os limites de exploração dos recursos naturais, embora haja indícios de uma tendência para mudar essa situação, uma vez que aumentou a eficiência da produção em alguns setores da economia.

2. Há uma tendência regional para a maior eficiência no uso dos recursos naturais, mas ainda existe um grande potencial de melhoria. Com diferentes níveis de escala, há casos que podem ser usados como exemplo, como o status da produção de salmão e programas de eficiência energética no Chile, além de iniciativas para o manejo sustentável de bacias hidrográficas no Brasil e no México.

3. A produção e consumo de energia tem crescido na região, bem como as emissões de CO2. No estudo, observou-se a dificuldade dos países, com exceção dos casos do Paraguai e do Brasil, em incorporar as fontes de energia renováveis, apesar dos esforços das empresas para modificar a estrutura da matriz energética e a dependência que domina a região no que diz respeito à energia convencional.


4. O uso de instrumentos econômicos para moderar o consumo de energia, juntamente com o desenvolvimento de programas de eficiência térmica e de energia, tem permitido um melhor aproveitamento desse recurso. Os casos do Chile e do México mostram a eficácia desse mecanismo, embora exija, a longo prazo, um modelo de tecnologia de geração de energia que permita o acesso em massa de fontes renováveis, e menores custos de produção.

5. Em termos de mudanças no uso da terra e da pressão do setor agrícola, é possível detectar uma redução de áreas de floresta natural e sua substituição por culturas não-originais.

6. A coordenação de políticas ambientais, econômicas, comerciais e de desenvolvimento possibilita o desenvolvimento de práticas de colheita que melhorem a eficiência no uso dos recursos naturais a curto prazo. É o caso dos saldos de água virtual (a quantidade de água necessária para obter um bem ou serviço), que são essenciais para os países com uma relativa escassez de água. Na agricultura, a experiência do Uruguai na produção de arroz, e do Paraguai, tem demonstrado a viabilidade de uma produção agrícola aumentar o desempenho, com base em critérios ecológicos.

7. Os modelos desenvolvidos demonstram os benefícios que podem ser obtidos por mudanças nos padrões de utilização dos recursos, assim como as opções disponíveis para facilitar essa transição. A experiência de projetos agrícolas no Paraguai mostra que a aplicação de critérios ecológicos pode melhorar a produtividade do cultivo.

O relatório REEO destaca as seguintes oportunidades de melhoria para a América Latina:

A cooperação público-privada nas escalas local, estatal e nacional.

• O planejamento do uso do solo e aplicação efetiva da regulamentação de uso da terra.
A promoção de estratégias de cooperação regional em áreas como mudanças climáticas, impacto ambiental do setor primário e regulamentação do setor hídrico.

A disponibilidade e o acesso à informação, a partir da geração e sistematização de informações confiáveis ??sobre o uso dos recursos e as implicações econômicas e ambientais.


Confira o resumo completo do documento e seus relatórios setoriais:

www.pnuma.org/reeo_port


Para mais informações:


Amanda Talamonte

Escritório do PNUMA no Brasil

+55 61 3038-9237

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Brasília – A economia do Brasil, online dos demais integrantes do Mercosul – Argentina, store Paraguai e Uruguai –, do Chile e do México são ineficientes no uso dos recursos naturais, países onde as atividades produtivas têm pouca sustentabilidade ambiental, revelou hoje (20) relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O relatório mostra que as seis economias latino-americanas vivem um processo que a instituição chama de primarização – aumento da dependência de produtos naturais primários para a exportação, como soja, carne, minério de ferro.

O fenômeno econômico, ligado à abertura comercial e ao crescimento da economia chinesa, faz com que haja mais pressão sobre o uso da água e o solo. “Estamos produzindo mal e não estamos levando a questão ambiental na tomada de decisão”, disse Elisa Tonda, oficial de projeto do Pnuma, na apresentação do relatório.

Para Maria Amélia Enriquez, especialista em economia ambiental e consultora do Pnuma, há, na região, países mais avançados na legislação ambiental, como o Brasil, e outros cuja a institucionalização é mais recente, o que cria uma grande assimetria para, por exemplo, produzir indicadores sobre o uso econômico da natureza. “Faltam, inclusive, informações se os recursos naturais estão sendo utilizados de forma sustentável”, aponta.

O diretor de Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente, Volney Zanardy, reconheceu que o Brasil não tem indicadores suficientes para a gestão ambiental, tais como uma série histórica sobre a qualidade da água e do solo. Ele destacou que, no entanto, há iniciativas que “inserem a questão ambiental na proposta de desenvolvimento”; como, por exemplo, as políticas de resíduos sólidos e a industrial, prevista no Plano Brasil Maior. Essa última, por exemplo, estabelece a meta de redução de 10% do consumo de energia até 2014 para os empreendimentos beneficiados.

O relatório do Pnuma aponta para experiências, nos seis países, que resultam em uso mais racional do meio ambiente. O Brasil é elogiado pela criação, em 1996, do Conselho da Bacia do Rio Paraíba do Sul, na Região Sudeste, onde estão instaladas 8,5 mil fábricas. O conselho, formado por representantes da sociedade e do Estado, decidiu, em 2003, cobrar taxas progressivas pelo uso da água, o que permite a captação de recursos financeiros para investir na proteção e recuperação do rio.

Maria Amélia acredita que é preciso criar mais instrumentos econômicos como esse para proteger o meio ambiente. Ela defende uma “reforma tributária ecológica” que, em vez de onerar as cadeias produtivas de mercadorias com maior valor agregado “que geram emprega e renda”, se cobre mais impostos pelo uso de recursos primários (alguns exportados sem taxação).

Para ela, a cobrança de impostos e o pagamento de royalties ainda são planejados como se o “mundo fosse vazio e abundante de recursos naturais”. A especialista avalia que a discussão dos royalties ocorre “como se fosse um recurso orçamentário qualquer”, quando “o royalty é um pagamento por um patrimônio que está sendo esgotado, impedindo uma geração futura de utilizar [esse patrimônio]”.

Edição: Lana Cristina

 

Goldemberg vê "descarbonização" global.

Nas negociações internacionais sobre mudança do clima costuma-se lembrar que é impossível cortar emissões de gases-estufa se não se sabe como medi-las. Um dos grandes debates entre os países é estabelecer os mesmos padrões de medição, pharm para tornar as emissões comparáveis e poder fiscalizar, uns aos outros, os cortes prometidos.

 

O professor Jacques Marcovitch, da pós-graduação do Departamento de Administração da Faculdade de Economia (FEA) da Universidade de São Paulo, está trazendo esse tema para o setor empresarial brasileiro. "Está na hora de deixarmos de ficar só na retórica da sustentabilidade e passarmos para a métrica", diz. "Queremos oferecer alguns indicadores que sirvam de base para essa discussão."

 

Na visão de Marcovitch, as métricas da sustentabilidade empresarial devem levar em conta seis parâmetros na fabricação de qualquer produto. A produção sustentável de um carro, de um eletrodoméstico ou de um rolo de papel toalha terá que mostrar qual foi a redução do consumo de energia por unidade produzida, o corte nas emissões de gases-estufa, a diminuição no consumo de água e a redução de dejetos.

 

Os outros dois pontos são o aumento do número de patentes por 100 mil habitantes e o aumento da cobertura florestal por unidade. Marcovitch explica: "A unidade se refere a uma unidade de produção de uma empresa, ou seja, um produto". Também há relação com a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de um Estado ou país.

 

Não é só isso. "Para que o Brasil possa influenciar a agenda ambiental mundial ele deverá dar um salto na inovação tecnológica", diz o professor. "O fato de ter cobertura vegetal e riquezas naturais não vai nos garantir ser um país importante neste século, se não tivermos um diferencial significativo na inovação tecnológica." Nesse quesito, o Brasil vem perdendo para a China, a Índia e a África do Sul, entre outros.

 

A inovação tecnológica, somada à atenção ao consumo de recursos naturais, tem sido um fator importante na redução de gases-estufa e o Brasil tem bons exemplos disso. "Hoje sabemos quanto de energia consumimos ao mês. O que pretendemos é fazer com que os consumidores saibam quanto gastam por dia, qual o consumo de cada equipamento ou quais são as horas de pico energético de consumo da família", diz Odair Marcondes, sócio-fundador da brasileira CAS Tecnologia, empresa que trabalha com sistemas de eficiência energética e redes inteligentes.

 

Marcondes lembra que conhecer o consumo é o primeiro passo para a redução. A CAS também trabalha com medidores individuais de água para condomínios. "Quando cada morador do prédio passa a conhecer seu consumo de água, a conta cai de 20% a 30%".

 

Ontem, na FEA, foram apresentados casos de tecnologias verdes desenvolvidas no Brasil e analisados por estudantes da pós-graduação da disciplina "Estratégias Empresariais e Mudanças Climáticas", ministrada por Marcovitch e pelo professor Isak Kluglianskas. Uma mudança estrutural em uma peça para automóveis, um virabrequim, feito por uma equipe brasileira da ThyssenKrupp , aumentou a vida útil da peça e reduziu o uso de combustível do carro.

 

Na subsidiária brasileira da Magneti Marelli, empresa do grupo Fiat, criou-se um sistema que elimina o tanque de gasolina dos carros flex. A tecnologia, que já está sendo exportada para os Estados Unidos e Europa, reduz as emissões de poluentes. Foi também a Magneti Marelli que desenvolveu e patenteou outra tecnologia relacionada a motores flex, dessa vez em aviões.

 

Dados preliminares indicam que o uso de etanol nos aviões pode significar redução de aproximadamente 38% das emissões de CO2 na decolagem, e de perto de 63% das emissões que ocorrem em velocidade de cruzeiro, em relação aos aviões que usam combustível tradicional.

 

Marcovich lembra que, atualmente, o uso de indicadores sustentáveis é voluntário e as empresas escolhem o que querem divulgar em seus balanços. A tendência mudará, acredita. O professor cita, por exemplo, as novas regras do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), em vigor desde o início de agosto. De agora em diante, a empresa que se gabar de ser sustentável em sua peça publicitária poderá ser instada a provar o que a torna verde.

 

Goldemberg vê "descarbonização" global - A matriz energética da China, dos Estados Unidos, da Índia e da União Europeia está se tornando cada vez mais limpa e menos carregada de combustíveis fósseis. "Está ocorrendo uma descarbonização progressiva no mundo", disse ontem, no seminário da FEA, um dos maiores especialistas em energia do país, o físico José Goldemberg. "A China, por exemplo, vem fazendo esforços tremendos nessa direção, talvez menos motivada pelo desejo de reduzir suas emissões de gases-estufa ou por virtude, e mais por vantagens econômicas."

 

O professor lembrou à plateia de economistas e empresários que desatrelar o crescimento econômico do uso de recursos naturais, do aumento das emissões de gases-estufa e do acréscimo na produção de lixo é uma opção econômica pouco inteligente. A palavra mágica é eficiência. "A quantidade de energia que se usa por unidade de PIB está diminuindo e convergindo, no mundo todo", prosseguiu.

 

"O sistema energético mundial muda, mas leva muito tempo", continuou. Exibiu gráficos onde se via que por volta de 1920 foi o pico do uso do carvão no mundo. Em 1980, foi o auge do petróleo. "Essas mudanças levam 30 ou 40 anos, envolvem enormes gastos em infraestrutura, o sistema se move lentamente, como um transatlântico." Goldemberg insistiu que promover a inovação tecnológica é um instrumento para estimular a chamada economia verde. "A gente fica impaciente porque as renováveis estão demorando muito para aumentar sua participação, mas é assim mesmo".

(Valor Econômico)

 

Proposta foi defendida por representantes do governo federal, generic na Conferência Ethos, Empresas e Responsabilidade Social 2011, realizado pelo Instituto Ethos, na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

A execução de políticas públicas que sejam capazes de proteger o meio ambiente e ao mesmo tempo estimular atividades de inclusão da população pobre na formação do Produto Interno Bruto (PIB) será uma das principais propostas a serem encaminhadas pelo Brasil, em novembro, à Organização das Nações Unidas (ONU) para as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

 

A proposta foi defendida ontem (9) por representantes do governo federal, na Conferência Ethos, Empresas e Responsabilidade Social 2011, realizado pelo Instituto Ethos, na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

 

Durante o encontro, a ministra Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o Brasil tem mais condições do que qualquer outro lugar do planeta de mostrar ao mundo capacidade para manter a trajetória de crescimento econômico sem comprometer a biodiversidade. Ela cobrou ousadia do país nos debates da conferência, destacando que "o Brasil tem como liderar em projetos de crescimento sustentado e no desafio da erradicação da miséria".

 

Para a ministra, é necessário, no entanto, criar uma lei que "dê segurança jurídica para uma visão de políticas públicas e para o investimento por parte do setor privado e para o financiamento de todos aqueles que querem plantar, reflorestar e manejar". Ela acredita que o país pode se desenvolver sem desmatamento ilegal. "Nossa proposta é trabalhar junto com o setor privado".

 

Também presente ao encontro, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, observou que apesar de o governo ter tido êxito na política de redução da pobreza, com a retirada de 28 milhões de pessoas da situação de extrema pobreza, ainda existem 16,2 milhões de pessoas vivendo na miséria, com renda per capita abaixo de R$ 70.

 

Ela enfatizou que esse universo de pessoas não foi favorecido com as chances oferecidas no "apagão da mão de obra" por falta de qualificação. E que por isto mesmo, o governo tem trabalhado para reverter este quadro concentrado em três eixos: transferência de renda; inclusão produtiva e ampliação do acesso aos serviços públicos."Nós temos que ir atrás dessa população", disse.

 

Segundo a ministra, o governo está trabalhando em medidas para que a agricultura familiar ganhe espaço no suprimento de produtos para o mercado doméstico como um meio de geração de renda. No meio rural, 25% da população estão em situação de extrema pobreza.

(Agência Brasil - 9/8)

 

Notícias - Economia Verde